
É interessante lermos o que o apóstolo Paulo escreveu aos irmãos de Tessalônica: “Orai sem cessar” (I Ts 5.17).
Todo cristão sabe (ou deve saber) da necessidade de orar, ainda que alguns não orem, porém, não fazem isso por não saberem que precisam orar, mas por realmente não o querer fazê-lo.
A oração constantemente é tema central de sermões, exortações e recomendações, e não seria exagero dizer, que é praticamente impossível que alguém que frequenta ou já frequentou a Igreja nunca tenha ouvido nada a respeito de oração.
Mas será a prática da oração realmente necessária ao cristão?
A oração não é somente necessária, mas indispensável na vida daquele que serve a Deus, prova disso é que o próprio Jesus, o Filho de Deus, cultivou a prática da oração (Mt 14.23;26.39;Mc 1.35), e seria inconcebível que a nós não fosse necessária tal prática.
Para melhor compreendermos a necessidade da oração, vamos defini-la.
Definição
Oração: Uma aproximação da pessoa a Deus por meio de palavras ou do pensamento, em particular ou
Quando entendemos que “a oração é uma aproximação da pessoa a Deus”, conseguimos entender porque a real e imprescindível necessidade da oração, pois quem ora aproxima-se de Deus, e de outra forma isto não seria possível. Podemos entender a oração como um diálogo (e na verdade o é), porém, com palavras audíveis ou não, em particular (Mt 6.6) ou em público (At 8.15).
Todos sabem que o diálogo tem o poder de aproximar os interlocutores, e que qualquer relacionamento sem diálogo tende a se tornar um fardo para os envolvidos, culminando no afastamento das partes.
Assim como no diálogo, a oração busca aproximar os envolvidos, ou seja Deus e o homem, ela aprofunda nosso relacionamento com Deus, pois podemos descobrir o que Deus quer e espera de nós, e o Senhor toma conhecimento do que queremos e esperamos d’Ele, orientando-nos naquilo que não Lhe agrada. A oração permite o conhecimento recíproco entre os interlocutores.
Por isso existirem pessoas nas igrejas que não sabem o que Deus quer delas e buscando coisas que Deus não quer para elas, estão alheias da vontade do Senhor, pois não se comunicam com Ele, não ouvem a divina voz e muito menos são ouvidas, devido à deficiência do diálogo.
Mas, o não orar é somente o início do problema, ou o mais crítico, devido à inexistência do diálogo, é muito comum em nossas igrejas, aqueles que oram demasiado, porém se analisarmos suas orações, descobriremos não um diálogo, mas sim, um monólogo, ou seja, somente ele fala, a Deus não é permitido falar, ou não o ouvindo o interlocutor. É importante falar com Deus na oração, mas não mais que o ouvi-lo, é muito comum nós querermos apenas falar com Deus, mas quando é a hora d’Ele falar conosco, esquivamo-nos da sua voz, porque talvez o que tem a nos dizer não nos seja agradável, então isso já não é um diálogo, mas sim um monólogo, pois somente um está falando.
E para acentuar esse monólogo, que provavelmente será enfadonho para Deus ouvi-lo, muitas das vezes esse monólogo, ou oração como alguns teimam em chamá-lo, é como (ou literalmente seja) uma lista de desejos, predominando palavras sinônimas a: “Eu quero, eu preciso, eu desejo, eu espero, eu anseio, me dá, me abençoa, abre portas, me faz prosperar”. Essas “orações” mais parecem às listas que recebemos de nossas esposas no dia em que recebemos nossos salários do que um diálogo entre um ser corrupto e um Deus santo. Mas talvez você esteja pensando, “mas é proibido levar nossos anseios ao Senhor?” De forma alguma, faz bem, e é sensato quem assim procede, porém não significa que só devemos orar quando precisamos de uma bênção do Senhor, seja ela material, espiritual, ou algum livramento. Atentemos para a definição que fizemos no início deste artigo, o que vem a ser oração e o que inclui essa prática; confissão, adoração, comunhão, gratidão, intercessão pelos outros e também, é claro, a petição pessoal.
Observe quantos aspectos inclui a oração e como a maioria das pessoas a resume a tão simples prática, que é a do pedir. Seria semelhante a você comprar um carro e lhe entregarem somente as rodas, ou seja, a maior parte, talvez as mais importantes, ficou para trás.
Ás vezes oramos, e nesse momento estejamos maculados de pecados, com amigos ou familiares em dificuldades, quando não perdidos, e nem ao menos confessamos nossos pecados, adoramos, agradecemos a Ele pela vida ou intercedemos por aqueles que estão aflitos. Vocês conseguiram perceber a deficiência dessa oração, observe como ela está incompleta.
Outro aspecto que é importante na oração é falar somente o necessário, observe o que Jesus recomendou aos discípulos: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mt 6.7).
Ás vezes orando, pensamos que Deus se entristecerá se não orarmos muito, e então passamos a falar coisas repetitivas e sem nexo, que muitas vezes quer dizer nada, então, depois de ficarmos muito tempo nessa ladainha, levantamo-nos, com o coração leve, com convicção que fizemos algo bom. Quando Paulo recomenda a orar sem cessar, ele quer dizer que devemos orar sem esmorecer ou desanimar, e não a ficarmos horas a fio repetindo palavras que Deus talvez até já tenha decorado. O mais importante no diálogo não é o quanto se fala, mas como se fala, se existe qualidade nas palavras trocadas entre os interlocutores e se estão compreendendo se mutuamente. Da mesma forma devemos evitar a oração mecânica, que é aquela oração repetida todos os dias, ou poderíamos chamá-la de “reza”. Não estou me referindo à reza dos católicos, que fica óbvia ser mecânica, estou fazendo menção à oração de evangélicos que é tão mecânica e repetitiva quanto uma reza romana. Todos os dias quando vai orar o sujeito faz a mesma oração, com as mesmas palavras, talvez até com a mesma dicção. Levando em consideração a definição de diálogo que demos a oração, imagine que você converse todos os dias com um amigo e este lhe diga sempre os mesmos assuntos, com as mesmas palavras, até com o mesmo timbre, não seria chato e cansativo? O relacionamento de vocês iria se aprofundar fazendo-os mais íntimos?
E às vezes queremos ser íntimos de Deus, não orando, ou observando apenas um aspecto dela, sendo repetitivos, “mecânicos” e enfadonhos. Aí o motivo de muitos não crescerem espiritualmente e estarem alheios à vontade do Senhor.
Referência Bibliográfica
KASCHEL, Werner; ZIMMER, Rudi. Dicionário da Bíblia de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.