quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Os Pescadores


Os Pescadores

Ora, aconteceu que existia um grupo de pessoas que se chamava "Os Pescadores". Eles organizaram um clube. E eis que havia um grande número de peixes nos rios da região.
Mês após mês e ano após ano, esses pescadores se reuniam em seu clube para falar acerca da vocação para pescar. Falavam também da abundância de peixes e da metodologia apropriada para pescar. Faziam também contínuas pesquisas em busca de novos e melhores modos de pescar.
Patrocinavam dispendiosas conferências e congressos para discutir a arte de pescar, para promover a pesca e para debater o tema da pescaria. Grandes centros foram criados e cursos eram oferecidos a respeito das necessidades dos peixes, a cultura dos peixes e onde encontrar peixes. Os que ensinavam nesses cursos tinham doutorados em Peixologia, mas tinham pouca experiência em matéria de pescar peixes.
Eles somente ensinavam aos outros como pescar com técnica. E aqueles que eram enviados para pescar faziam exatamente o mesmo que faziam os que os tinham enviado. Organizavam mais clubes. Analisavam o peixe e discutiam o que era necessário para apanhar peixes.
Mas uma coisa eles não faziam: Não pescavam nada.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Falando com Deus


É interessante lermos o que o apóstolo Paulo escreveu aos irmãos de Tessalônica: “Orai sem cessar” (I Ts 5.17).

Todo cristão sabe (ou deve saber) da necessidade de orar, ainda que alguns não orem, porém, não fazem isso por não saberem que precisam orar, mas por realmente não o querer fazê-lo.

A oração constantemente é tema central de sermões, exortações e recomendações, e não seria exagero dizer, que é praticamente impossível que alguém que frequenta ou já frequentou a Igreja nunca tenha ouvido nada a respeito de oração.

Mas será a prática da oração realmente necessária ao cristão?

A oração não é somente necessária, mas indispensável na vida daquele que serve a Deus, prova disso é que o próprio Jesus, o Filho de Deus, cultivou a prática da oração (Mt 14.23;26.39;Mc 1.35), e seria inconcebível que a nós não fosse necessária tal prática.

Para melhor compreendermos a necessidade da oração, vamos defini-la.

Definição

Oração: Uma aproximação da pessoa a Deus por meio de palavras ou do pensamento, em particular ou em público. Inclui confissão (Sl 51), adoração (Sl 95.6-9; Ap 11.17), comunhão (Sl 103.1-8), gratidão ( I Tm 2.1), petição pessoal ( 2 Co 12.8) e intercessão pelos outros (Rm 10.1). (KASCHEL E ZIMMER).

Quando entendemos que “a oração é uma aproximação da pessoa a Deus”, conseguimos entender porque a real e imprescindível necessidade da oração, pois quem ora aproxima-se de Deus, e de outra forma isto não seria possível. Podemos entender a oração como um diálogo (e na verdade o é), porém, com palavras audíveis ou não, em particular (Mt 6.6) ou em público (At 8.15).

Todos sabem que o diálogo tem o poder de aproximar os interlocutores, e que qualquer relacionamento sem diálogo tende a se tornar um fardo para os envolvidos, culminando no afastamento das partes.

Assim como no diálogo, a oração busca aproximar os envolvidos, ou seja Deus e o homem, ela aprofunda nosso relacionamento com Deus, pois podemos descobrir o que Deus quer e espera de nós, e o Senhor toma conhecimento do que queremos e esperamos d’Ele, orientando-nos naquilo que não Lhe agrada. A oração permite o conhecimento recíproco entre os interlocutores.

Por isso existirem pessoas nas igrejas que não sabem o que Deus quer delas e buscando coisas que Deus não quer para elas, estão alheias da vontade do Senhor, pois não se comunicam com Ele, não ouvem a divina voz e muito menos são ouvidas, devido à deficiência do diálogo.

Mas, o não orar é somente o início do problema, ou o mais crítico, devido à inexistência do diálogo, é muito comum em nossas igrejas, aqueles que oram demasiado, porém se analisarmos suas orações, descobriremos não um diálogo, mas sim, um monólogo, ou seja, somente ele fala, a Deus não é permitido falar, ou não o ouvindo o interlocutor. É importante falar com Deus na oração, mas não mais que o ouvi-lo, é muito comum nós querermos apenas falar com Deus, mas quando é a hora d’Ele falar conosco, esquivamo-nos da sua voz, porque talvez o que tem a nos dizer não nos seja agradável, então isso já não é um diálogo, mas sim um monólogo, pois somente um está falando.

E para acentuar esse monólogo, que provavelmente será enfadonho para Deus ouvi-lo, muitas das vezes esse monólogo, ou oração como alguns teimam em chamá-lo, é como (ou literalmente seja) uma lista de desejos, predominando palavras sinônimas a: “Eu quero, eu preciso, eu desejo, eu espero, eu anseio, me dá, me abençoa, abre portas, me faz prosperar”. Essas “orações” mais parecem às listas que recebemos de nossas esposas no dia em que recebemos nossos salários do que um diálogo entre um ser corrupto e um Deus santo. Mas talvez você esteja pensando, “mas é proibido levar nossos anseios ao Senhor?” De forma alguma, faz bem, e é sensato quem assim procede, porém não significa que só devemos orar quando precisamos de uma bênção do Senhor, seja ela material, espiritual, ou algum livramento. Atentemos para a definição que fizemos no início deste artigo, o que vem a ser oração e o que inclui essa prática; confissão, adoração, comunhão, gratidão, intercessão pelos outros e também, é claro, a petição pessoal.

Observe quantos aspectos inclui a oração e como a maioria das pessoas a resume a tão simples prática, que é a do pedir. Seria semelhante a você comprar um carro e lhe entregarem somente as rodas, ou seja, a maior parte, talvez as mais importantes, ficou para trás.

Ás vezes oramos, e nesse momento estejamos maculados de pecados, com amigos ou familiares em dificuldades, quando não perdidos, e nem ao menos confessamos nossos pecados, adoramos, agradecemos a Ele pela vida ou intercedemos por aqueles que estão aflitos. Vocês conseguiram perceber a deficiência dessa oração, observe como ela está incompleta.

Outro aspecto que é importante na oração é falar somente o necessário, observe o que Jesus recomendou aos discípulos: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mt 6.7).

Ás vezes orando, pensamos que Deus se entristecerá se não orarmos muito, e então passamos a falar coisas repetitivas e sem nexo, que muitas vezes quer dizer nada, então, depois de ficarmos muito tempo nessa ladainha, levantamo-nos, com o coração leve, com convicção que fizemos algo bom. Quando Paulo recomenda a orar sem cessar, ele quer dizer que devemos orar sem esmorecer ou desanimar, e não a ficarmos horas a fio repetindo palavras que Deus talvez até já tenha decorado. O mais importante no diálogo não é o quanto se fala, mas como se fala, se existe qualidade nas palavras trocadas entre os interlocutores e se estão compreendendo se mutuamente. Da mesma forma devemos evitar a oração mecânica, que é aquela oração repetida todos os dias, ou poderíamos chamá-la de “reza”. Não estou me referindo à reza dos católicos, que fica óbvia ser mecânica, estou fazendo menção à oração de evangélicos que é tão mecânica e repetitiva quanto uma reza romana. Todos os dias quando vai orar o sujeito faz a mesma oração, com as mesmas palavras, talvez até com a mesma dicção. Levando em consideração a definição de diálogo que demos a oração, imagine que você converse todos os dias com um amigo e este lhe diga sempre os mesmos assuntos, com as mesmas palavras, até com o mesmo timbre, não seria chato e cansativo? O relacionamento de vocês iria se aprofundar fazendo-os mais íntimos?

E às vezes queremos ser íntimos de Deus, não orando, ou observando apenas um aspecto dela, sendo repetitivos, “mecânicos” e enfadonhos. Aí o motivo de muitos não crescerem espiritualmente e estarem alheios à vontade do Senhor.

Referência Bibliográfica

KASCHEL, Werner; ZIMMER, Rudi. Dicionário da Bíblia de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A gente se perde por aqui!


Há alguns anos, a televisão era motivo de grande balbúrdia e debates no meio evangélico, existiam os radicais que diziam que evangélicos não podiam ter televisão em suas casas nem mesmo assistir em outros locais, diziam que este aparelho não era de Deus. Davam até apelidos à TV, como caixa do diabo, tele leão, telinha de satanás entre outros. O cristão que tivesse televisão em casa ou assistisse em outro lugar era disciplinado na igreja sem piedade alguma, e infelizmente isso levou muitos a se afastarem das igrejas e outros tantos a não aceitarem a Cristo com medo de ter que ficar o resto da vida sem poder assistir sequer a um telejornal.
Também existiam aqueles que diziam que tudo isso era bobagem, que sabendo usar, as pessoas podiam fazer bom uso da televisão, estes, porém eram criticados por aqueles, que os chamavam de mundanos e rebeldes, pois tendo aparelhos de televisão em casa se diziam cristãos e tinham coragem de participar da Santa Ceia do Senhor.
Talvez essa velha polêmica não pareça tão velha assim, pois ainda em nossos dias vemos igrejas e cristãos se engalfinharem por causa da telinha, mas isso acontece com bem menos freqüência do que há alguns anos atrás. Hoje já é consenso entre quase todos os cristãos que se pode fazer bom uso da TV, apenas uma minoria fundamentalista pensa diferente.
Mas o que tem preocupado pastores e lideres não é o poder ou não poder assistir televisão, pois sabemos que a televisão não foi criada pelo diabo e nem tampouco é dele. Quando o cristão é prudente, este consegue fazer bom uso da TV. O que tem nos preocupado é exatamente esta falta de prudência.
Muitas pessoas acham que escolher e controlar o que estão assistindo é coisa de crente fanático, e por isso assistem indiscriminadamente a tudo o que passa na televisão sem ao menos parar para avaliar se aquela programação é realmente adequada para que um cristão possa estar assistindo. Embora a TV não seja do diabo, ele na maioria das vezes controla quem faz as programações mais assistidas no nosso país. Prova disso é a péssima qualidade dos programas que são exibidos nas emissoras líderes de audiência. Tais programas não têm o mínimo respeito e comprometimento com as famílias brasileiras que lhes dão audiência, inclusive famílias evangélicas.
Hoje o que realmente importa na hora de criar um programa de televisão é a audiência que esse programa vai alcançar, nenhum diretor de televisão pensa nas famílias que estão reunidas assistindo aquele programa, principalmente as crianças. Quantas barbaridades passam nas emissoras de TV em plena luz do dia e infelizmente muitas pessoas são influenciadas por esses dejetos de cultura de baixo nível.
Infelizmente muitos cristãos criticam e acham cafona e radical as mensagens ou os pregadores que advertem acerca do mau uso da TV, não conseguem observar com seus próprios olhos que a TV prejudica lhes. Gostaria de reafirmar que o crente não está proibido de assistir televisão ou que isto seja pecado. O que quero dizer é que o cristão deve ser cauteloso na hora de escolher os programas que vai assistir. Poucas emissoras de TV têm compromisso de veicularem uma programação de qualidade, que promova edificação e aprendizado ao telespectador.
Um gênero televisivo que tem predominado no Brasil, embora seja velho é a telenovela, que muitas pessoas gostam de acompanharem, nos últimos tempos as telenovelas tornaram se o principal veículo para a propagação de valores antifamiliares, apesar de ser o programa preferido das famílias brasileiras. As grandes produtoras de telenovelas descobriram nesse gênero um aliado para introduzirem dentro dos lares brasileiros idéias, conceitos e práticas antifamiliares e acima de tudo antibíblicas, como homossexualismo por exemplo. Atualmente uma telenovela que tenha um personagem homossexual é parabenizada e considerada aliada na luta contra o preconceito a essa classe, porém, uma coisa é desestimular o preconceito, outra diferente é estimular a prática do homossexualismo. Essas emissoras tentam passar uma imagem de aliadas na luta contra as práticas preconceituosas e discriminatórias quando na verdade não o são, pois elas mesmas contribuem para o preconceito contra as religiões, principalmente a evangélica.
Recentemente uma novela de uma grande emissora brasileira, fez sucesso ao colocar no ar um estranho relacionamento amoroso onde três personagens, dois do mesmo sexo, viviam juntos formando um bizarro relacionamento. Isso a emissora defendia como sendo um incentivo à tolerância e respeito aos homossexuais. Mas na mesma novela, existia um núcleo que interpretavam um grupo de evangélicos, atitude que recebeu aplausos até de igrejas, pois nunca acontecera algo semelhante na TV brasileira, mas poucas pessoas perceberam que na realidade estavam eram ironizando os evangélicos, os personagens usavam excessos de “glória a Deus” e ‘aleluia”, uma personagem representava uma evangélica fofoqueira e intolerante.
As telenovelas investem e incentiva a destruição e banalização de valores familiares, como o casamento. Há alguns meses na novela “A Favorita”, exibida na Rede Globo, a personagem vivida por Lília Cabral, quando pedida em casamento pelo personagem interpretado por Alexandre Nero, recusou o pedido alegando que queria ser “livre” experimentar coisas novas, insinuando que o casamento prendia as pessoas e talvez impedisse as de viver novos relacionamentos.
Talvez você pense: “Que artigo antiquado e conservador”, talvez você não tenha percebido como a TV influencia-nos negativamente. Você pode observar com seus próprios olhos, a grande maioria das novelas começa com determinados pares românticos, mais durante a trama às vezes é quase impossível contar quantas vezes esses casais largam, voltam e principalmente, envolvem se com outros personagens. E para o telespectador isso tudo é normal, às vezes até para nós que somos cristãos, quantas vezes acompanhando uma novela não torcemos para que determinados personagens que deixaram suas famílias fiquem juntos. -“Mas o que há de mal nisso?” Você pergunta. E eu te respondo com outra pergunta: - O que há de bom nisso?
A televisão é ainda mais combatida nos meios acadêmicos do que nos religiosos, pois os estudiosos conseguem perceber o mal gosto e a baixa qualidade da maioria dos programas exibidos diariamente pelas grandes e médias emissoras em nosso país. Infelizmente essas programações interferem negativamente na educação das nossas crianças. Veja o que diz uma especialista no assunto:
“Estudos mostram que crianças que vão melhor na escola têm famílias que limitam seu tempo na frente da TV e são mais rigorosas quanto à seleção da programação assistida. Crianças menores ainda não distinguem ficção de realidade, ficando expostas a imagens que podem ser traumáticas ou assustadoras. Sempre que possível, assista à TV juntamente com as crianças, e converse com elas a respeito do conteúdo e da qualidade do que estão vendo” (BATISTA).
Estar atentos ao que nossos filhos assistem e também ao que nós assistimos não é somente uma prática radical de crentes fundamentalistas, é sobretudo sermos cautelosos com as mentiras e depravações que entram via satélite nos nossos lares.

Referência Bibliográfica

BATISTA, Cleide Vítor Mussini. Educação da criança de 0 a 2 anos. In: Curso Superior de Pedagogia: Módulo III. Londrina, UNOPAR, 2007.